sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Ratzinger
A renúncia do Papa Bento XVI teve uma enorme repercussão recentemente, e ainda continuará, por se tratar de um fato atípico e ainda nebuloso.
O fato é que o motivo alegado (cansaço) não pode ser considerado verdadeiro, pois o mesmo disse que continuará exercendo suas funções de cardeal e continuará vivendo no Vaticano. Quem está cansado simplesmente se aposenta.
Analisando a cobertura, podemos notar que os jornalistas sérios atribuem a renúncia ao desgaste interno do seu papado, marcado por denúncias de pedofilia, corrupção no Banco do Vaticano, um complô para assassinar o Papa, ataques ao Islã e a reaproximação com setores nazifascistas da cúria romana, conhecidos como lefebvrianos. Até aqui nada de anormal para o olhar de um historiador. Os bastidores da luta pelo poder papal nunca foram um acontecimento celestial. Basta para isso lembrar dos Borgias
Podemos notar que o desgaste interno é devido as posições ultraconservadoras que o Papa insiste em defender. Membros da cúria insistem que essa postura é a causa do declínio da Igreja Católica no ocidente. Ao mesmo tempo, onde os progressistas dominam (Ásia e África) nota-se um avanço do número de fiéis.
Reside aqui um grande problema: O Papa ficou conhecido por atuar aqui na América Latina de modo a extirpar os Bispos adeptos da Teologia da Libertação (corrente interessada em melhorar as condições materiais e sociais do povo de pior condição financeira e social) e afirmar a primazia do movimento conhecido como Renovação Carismática (movimento baseado na renovação dos ritos católicos em contraponto a liturgia adotada pelas religiões neopentecostais). Esse movimento é visto por especialistas como causa do rápido crescimento do números de evangélicos no Brasil.
Portanto, seria mais plausível acreditar que a saída do Papa se dá por um racha interno no alto comando da Igreja Católica causado por diferentes visões sobre o papel da Igreja.
Ao morrer, o Cradeal Emérito de Milão Carlos Maria Martini , deixou escrito uma carta com os seguintes dizeres: “Há um tempo tinha sonhos sobre a Igreja. Uma Igreja que trilha pela estrada da pobreza e da humildade, uma Igreja independente dos poderes deste mundo… Uma Igreja que dá espaço às pessoas capazes de pensar de maneira mais aberta. Uma Igreja que infunde coragem, sobremaneira naqueles que se sentem pequenos ou pecadores. Sonhava com uma Igreja jovem. Hoje, não tenho mais esses sonhos. Depois dos 75 anos decidi orar pela Igreja”.
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