Nesta semana a morte do torcedor Kevim Espada na Colômbia por um torcedor corinthiano teve grande destaque na mídia. Em grande parte da cobertura notamos o desrespeito e sensacionalismo. A questão não tem sido tratada da maneira que merece ser tratada.
Tanto as autoridades do futebol (FIFA, CONMEBOL ou CBF) quanto os governos sulamericanos são ineficientes em tratar o tema. No Brasil sempre presenciamos notícias de torcedores que são mortos em confrontos de torcidas organizadas. Nesse ano um vascaíno e um cruzeirense perderam a vida simplesmente por estarem vestidos com as camisa de seu clubes. Ainda este ano, uma garota foi hostilizada pela sua própria torcida ao pedir a camisa de um rival. Vídeo aqui
Em Junho de 2006, após desclassificação em casa, a torcida do Corinthians quase invadiu o campo ao final da partida, sendo contidos pelos policiais.
E nada é feito. A solução para alguns governadores foi instituir os jogos de torcida única. Sempre o bom cidadão é penalizado (assim como na proibição ao uso de celulares em agencias bancárias para reduzir assaltos). Precisamos de medidas sérias e urgentes. E aqui não há como não lembrarmos do exemplo europeu. Os times ingleses ficaram excluídos durante cinco anos das competições europeias devido ao episódio conhecido como a Tragédia de Heysel. A medida teve grande apoio inclusiva na Inglaterra, algo dificil de se pensar no Brasil, onde o futebol está acima de tudo.
Podemos discutir com nossos alunos esta questão, tendo o máximo cuidado para nos mantermos dentro do objetivo que é discutir violência no futebol. Como ponto de partida, podemos usar o fato recente da morte do torcedor boliviano e enriquecer com os demais materiais disponibilizados nos links. Podemos ainda exibir o documentário The Real Footbol Factories (neste link episódio 1 de 5). Nele podemos notar o ódio inconsequente presente no discurso dos torcedores nas torcidas organizadas. Outro ponto importante a abordar é o financiamento dessas torcidas. Como esses torcedores viajam atrás de seus times se vários não trabalham? Podemos levantar com os alunos se episódios semelhantes acontecem onde moram. Existem histórias no imaginário popular da localidade de sua escola? Existem relatos históricos sobre futebol e violência? Ao final podemos debater sobre como mudar esse quadro caótico pedindo sugestões escritas.
Os textos acima podem ser trabalhados quando tratarmos do assunto violência e cultura da violência no mundo contemporâneo, expresso no Art. 66 da Resolução 2197/2012. Na mesma Resolução no Art. 58 quando se pede para trabalhar educação em direito humanos.
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